Com a licença da palavra, eu aprendi a sofrer calada.

Aprendi primeiro a me calar para não me opor aos outros, seria feito entrar em conflito. Depois, não é certo discutir com os mais velhos. Cada vez mais a sensação de “entalada” era estagnada em meu coração e nem disso eu podia reclamar.

Vejo carros passando com um som alto (estridente) com uma música que eu não gosto (e mesmo se gostasse) quando penso em abrir a boca para falar alguma coisa logo me calam – Falar para que ? De nada irá adiantar…você pode até levar um tiro por falar demais.

Vejo pessoas sujando o chão, jogando copos, latas e papeis: – Eles estão garantindo o emprego dos garis. (me calo de vergonha da ignorância de quem me diz tal asneira).

Vejo animais serem largados na rua como lixo por que os donos irão viajar, mais uma vez me calo com um choro dolorido, por não saberem que almas puras eles deixam para trás.

Vejo carros que forçam ultrapassagem ou fecham os outros motoristas apenas por falta de educação, eu que pego todo dia quase 70 km de ida e volta do meu trabalho, me calo para não me transformar em uma pessoa “perturbadora da paz”.

Vejo crianças serem maltratadas pelos seus pais ou por outros, sinto o medo em seus olhos, e logo me puxam a orelha: – Fica quieta, os pais sabem o que estão fazendo. E penso no tão grande desejo que tenho em me tornar mãe.

Vejo jovens serem mortos pelas bebidas e pelas drogas, no meu tempo, eu bebia, ficava legal e obedecia as regras (e nem tinha lei seca).

De que adianta ter voz diante a tantas atrocidades ? De que adianta eu estar fazendo o bem ? Minha gentileza que só queria gentileza em troca foi ofuscada pelos “espertos”.

É triste a realidade, e por mais calada que sofra, não desistirei de tentar, pode não ser eu a pessoa que fará a diferença, mas sou o inicio de uma mudança. Quer conhecer um povo ? Meça a educação deles e saberá.

E assim termino este texto com uma tristeza em meus olhos e em meu coração por saber que faço pouco para a mudança acontecer  e por que por mais calada que eu esteja, transformei as minhas lágrimas de revolta em palavras.

~ Ellen Figueira ~

How can you be kind? – Propaganda da Liberty Mutual Group
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Sobre Ellen Figueira

Baiana, administradora, inspirada, apaixonada pela vida e louca nas horas vagas.

3 pensamentos sobre “Com a licença da palavra, eu aprendi a sofrer calada.

  1. Infelizmente é assim que temos que ficar: calados… mas, nunca copiar tais atitudes negativas nem concordar… qualquer pequena ação trará uma possível transformação. Muito boa crítica…isto gera transformações.

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    • A esperança deve estar sempre conosco. Não copiar tais atitudes, mas gerar novos seguidores das nossas ações, quem sabe assim como o vídeo conseguimos alguma mudança…

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